O que caracteriza alguma coisa ou alguém como feminina/o?
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20/02/2010 por danilima65
Publicado em questões | Etiquetado feminino | 33 Comentários
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feminino é ter capacidade de doação, de dar-se a alguém, de cuidar de alguém, de ser em relação a outro, em função de outro, ter compaixão, ser capaz de sofrer com/pelo outro
oi dani,
ótima pergunta que coincidentalemnte tem povoado o meu olhar.
até então, a seguinte resposta tem feito sentido pra mim:
o que caracteriza alguma coisa ou alguém como feminino/a é a sua capacidade (ou potencial) de penetrabilidade.
abraços.
me desculpe mas ouço a palavra feminino e me arrepio, associo a chatice, blá blá blá, coisa de mulherzinha. acho falar disso hoje uma cafonice, coisa antiga, fora de moda. na verdade não sei se existe alguma coisa que seja desvinculada da biologia da mulher propriamente dita que dê pra chamar de feminino.
o desconhecido, a morte (menos a morte morrida e mais as pequenas mortes, finalizações, deixar-se-ir).
suavidade, lua, ciclo, maternal, acolhimento, umidade, choro, chatice, empatia, vontade de explicar tudo e de entender tudo, Isadora…
Feminino
delicado, sinuoso, plástico, fino, brilhante, aconchegante.
Oi Dani querida, tudo bem com você? Espero que tudo positivo. Em breve nos encontraremos em São Paulo; agora te envio algumas coletas femininas (primeiras referências de nome, site, foto e vídeo que apareceram no Google, a partir da pesquisa “feminino”). Um beijão pra você.
Banheiro Feminino
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Atitude feminina – Rosas
obrigada Bernardo, já tinha este mesmo procedimento e cai exatamente nisso…
e vc? o q te vem à cabeça quando pensa em feminino? libera aí…..
até breve querido, bj
gosto de pensar como “uma construção”. mas acho que isso nao responde “o que caracteriza”; mas fico com a idéia da construção. beijos!
concordo sim, claro, uma construção. Mas o que me interessa aqui é justamente sondar sobre que bases se dá esta construção, o que constitui o imaginário de diferentes gerações/galeras/pessoas sobre a/s idéia/s de feminino. Imagino que as associações e imagens de feminino diferem e/ou coincidem de acordo com as características sócio-culturais e tb com as experiências singulares de cada indivíduo.
então nesse caso minhas associações me levam a pensar em “feminino” como: promoção, impulso.
Bom vamos lá…
A primeira coisa que veio a cabeça pra caracterizar alguma coisa ou alguém como feminino(a)… é o susto, o assustar-se. Mas também: mãos, toque…
uma mordida precisa.
O feminino é a chave para o insondável. O que caracteriza o feminino é o mistério. A multiplicação do ser.
Penso que uma mulher que gera outra mulher é como um espelho colocado diante de outro espelho, refletindo infinitos espelhos, salas e salas de reflexos que se perdem e se reproduzem na imensidão eterna.
O feminino é uma debutante dançando com seu vestido branco num salão escuro, girando como uma galáxia no espaço. Linda e inexplicável.
A força da delicadeza.
ai está a imagem que vc me mandou para entrar junto com sua resposta – a força da delicadeza
Bem…pra mim, o que caracteriza o feminino é o ato, a atitude em relação a alguma coisa… a delicadesa de ser o extraordinário!! (feminina!!). Pra mim é difícil as vezes ser feminina pq me considero “meio gurizinho”, mas não tem como fugir de ser feminina, sou mulher e gosto de ser, mas, com as minhas e as nossas particularidades. Bem Dani, por agora é isso…bjs!
O livro que a Bia indicou no facebook
Coreografias do feminino
Desdobramento da dissertação de mestrado em Filosofia defendida pela jornalista Carla Rodrigues na PUC-Rio, em março de 2008, Coreografias do feminino traz um conjunto de textos ligados ao tema do feminino e do feminismo. As coreografias do feminino são uma referência à dança que a feminista Emma Goldman evocava já no século XIX: “De nada me serve sua revolução se eu não puder dançar”, dizia. Coreografias do feminino apresenta reflexões que aparecem no entrelaçamento entre as proposições do filósofo franco-argelino Jacques Derrida e as teóricas feministas que, impulsionadas pelo seu pensamento, exploram formas e modos de levar adiante o pensamento da desconstrução: desconstrução da primazia do masculino, desconstrução das hierarquias que subordinam o feminino, desconstrução das lógicas opositivas que contrapõem masculino e feminino. Trata-se não de por um fim nas diferenças, mas para reconhecer que as diferenças são mais complexas do que as suas supostas estruturas binárias.
A dissertação de mestrado teve orientação do professor Paulo Cesar Duque-Estrada, coordenador do Núcleo de Estudos sobre Ética e Desconstrução (www.need.pro.br), do qual a autora é uma das pesquisadoras.
A Editora Mulheres foi criada em 1996 por três professoras da UFSC para resgatar obras de autoras dos séculos XVII ao início do XX. Ao lado das edições ou reedições de livros de brasileiras, a editora vem publicando traduções de importantes títulos dos estudos de gênero, além de ensaios, estudos críticos e uma série de títulos ligados às questões de gênero.
O livro está dividido em três partes: a primeira mostra como Derrida pensa o feminino. A segunda, como Derrida dialoga com a teoria feminista e com autoras como Judith Butler, Joan Scott, Gaiatry Spivak e Drucilla Cornell. Na terceira e última parte estão dois artigos que discutem o problema dos direitos iguais e suas implicações.
PARTE I – O FEMININO NO PENSAMENTO DA DESCONSTRUÇÃO
1. As ilusões topográficas e o lugar da mulher
2. Inversão e deslocamento do feminino
3. Nem isso nem aquilo – o feminino, os indecidíveis
PARTE II – O FEMINISMO NO PENSAMENTO DA DESCONSTRUÇÃO
1. “O sujeito é uma fábula”
2. Ainda o problema da oposição natureza/cultura
3. Mulher, política e identidade
PARTE III – ASPECTOS DA REIVINDICAÇÃO DE DIREITOS
1. Força, direito, lei e justiça
2. Da igualdade à equivalência: o caso Sears 30 anos
depois
Visite o site da Editora Mulheres para comprar o livro.
gosto das sugestões que esta imagem propicia…. as ideias de ‘ventre’-entre’, de mãe natureza, de cordão umbilical, de conexão, tato, toque, tudo!
Gustave Courbet (1819-1877) L’origine du monde (A origem do mundo), 1866
Óleo sobre tela; (46×55)
Musée D’Orsay, Paris, França.
Dani, fiquei pensando no caminho de casa e cá estou escrevendo pra voçê:
feminino são portas
feminino é o porto
Aquele que está aberto ao multiplo, pelas passagens, pelos caminhos, pela diversidade, e que ao mesmo tempo recebe, acolhe o outro. É o que está pronto para ser a mãe, mesmo que nunca o seja.
Bj Tana
bj Tana, obrigada.
Não sei o que é o feminino, assim como coisa genérica, mas sei que emana de algumas mulheres fortes, um sentimento fundo que ao mesmo tempo nos orienta e nos faz perder o norte.
Engraçado, quando ouço isto: orientar e fazer perder o norte ao mesmo tempo, tive mais clareza do que pensei qdo disse o porto e a porta…
bj tana
Pra mim o que caracteriza o feminino é saber se colocar sem bater de frente, mas por meio de movimentos sinuosos..pode ser uma característica vinda da sensibilidade em compreender e ouvir o outro..
alice mandou esta foto
difícil responder as questões, é tudo tão amplo, tão possível. se saímos da biologia os limites de gênero ficam muito borrados.

petter hegre
oi querida,
cê tá pesquisando o feminino, é isso? tem esse trecho do nietzsche que acho lindo…
beejus
Vita femina [A vida é uma mulher]. – Para a beleza última de uma obra não bastam todo o saber e toda a disposição; os mais raros e felizes casos são necessários, para que o véu de nuvens se afaste uma vez desses cumes e nós os vejamos refulgir ao sol. Não apenas devemos estar no lugar certo para presenciar isso: nossa alma teve de arrancar ela própria o véu de suas alturas e necessitar de uma expressão e símbolo exterior, como que para ter um ponto de apoio e continuar senhora de si. Mas é tão raro que tudo isto suceda ao mesmo tempo, que me inclino a crer que as maiores alturas de tudo o que é bom, seja de uma obra, um ato, a humanidade, a natureza, permaneceram oculto e velado para a maioria e mesmo para os melhores dos seres humanos até hoje: o que se revela para nós, no entanto, revela-se apenas uma vez! – Os gregos bem que rezavam: “Duas e três vezes tudo que é belo!”Ah, eles tinham aí uma boa razão para evocar os deuses, pois a profana realidade não nos dá o belo, ou o dá somente uma vez! Quero dizer que o mundo é pleno de coisas belas, e contudo pobre, muito pobre de belos instantes e revelações de tais coisas. Mas talvez esteja nisso o mais forte encanto da vida: há sobre ela entretecido de ouro, um véu de belas possibilidades, cheio de promessa, resistência, pudor, desdém, compaixão, sedução. Sim, a vida é uma mulher!
Nietzsche “A Gaia Ciência” livro IV Aforisma 339
Companhia das Letras
para a maioria das pessoas a palavra feminino seria algo doce, suave, rosa, até triste. feminino para mim me lembra de força, determinação, luta, renúncia, amor incondicional, saber falar e saber calar, colo, orientação. também: vestido transparente, saias, cachos, bolhas de sabão. feminino é um misto de doce, amargo e azedo. textura macia e lisa.
feminino pode ser muitas coisas ao mesmo tempo.
contornos sinuosos, porosidade, permeabilidade, espiral, olfato precedente à visão, generosidade para coisas graves e teimosia e rancor para coisas pequenas. tô falando de mim? eheheh… bj
vi só agora o convite pra enquete no meu email…. o que é feminino é uma daquelas perguntas tipo o que é o ser humano, o que o amor, o que é deus, essas coisas…. essas coisas meio que é tudo e nada, ou seja, que não levanta questão nenhuma…. mas é interessante ver isso vindo da dança contemporânea, abre espaço pra outros questionamentos… por exemplo: o que leva em conta esta enquete? mas isso é outro papo…. O que caracteriza alguma coisa ou alguém como feminina/o? bem… com certeza não é uma buceta.
Colo. Balanço. Curvas em velocidade.
Sensível à sonoridade do corpo.
Musas. Oráculos.
Aquela que cuida. Sua habilidade através dos tempos reside no cuidado com o outro, com o lar, com o espaço que habita.
Memória do que não se pode esquecer.
interessante ler algumas respostas.
pra mim a feminilidade, ou o que caracteriza alguém/algo como feminino NADA tem a ver com características biológicas.
é curioso, mas de fato não é o meu contorno físico, ou o espaço que tenho em meu útero que me torna feminina. tem muito mais a ver com a minha própria RELAÇAO com os meus espaços físicos e emocionais. como me relaciono com a minha penetrabilidade. a construcão do feminino se dá nessa relação.
o masculino adentra, penetra – espaços externos, internos. o masculino delineia o espaço enquanto o feminino É o espaço.
adoro essa pergunta. abraço!